sexta-feira, 12 de março de 2010

Soneto da União


Darcy sonhou e não o fez sozinho
Dos elementos ricos de tenra índole,
Dos corações humildes e das mentes livres
A união apontou como caminho

Olha firme teu irmão nos olhos
Enlaça o corpo largo em teus braços
Vês a semelhança além dos traços?
Sentes a alma viva pelos poros?

Deixa cair todos os rótulos!
E que isso não se dê passivamente
É o coração humilde que liberta a mente!

Lembra-te menino e inocente
Temias a tua própria gente?
Não te deixes cegar por rasos modos.


quinta-feira, 11 de março de 2010

Fragmentos...(baseado em fatos reais)

Homenagem a amizade e as belas pérolas que ela nos proporciona:

(1) - Velho.. se liga como o corpo humano é top. Ontem quando eu fui lavar a cara, eu quase caí no chão de tontura e eu achava que isso era por perder muito sangue.

(1) - Daí eu falei com o médico. Ele disse que quando o olho ve sangue, ele envia um sinal pro coração pra parar de bombear sangue pq ta dando merda. O coração bombeia mais devagar e o sangue demora pra chegar no cerebro. Dái rola a tontura.. dá hora não?


(2) - caralho, mas qq rolou? vc que se fodeu? onde vc bateu?


(1) - Eu caí de cara no chão sem nenhum apoio. Mas acabou sendo suave. Tomei 8 pontos no queixo, mas não pegou nada em relação a boca, dente, nariz e essas coisas que poderiam vir a prejudicar a face do Dorfinho deixando milhares de minas desoladas...


(2) - Caralho Fever, que merda hein?Ainda bem que não pegou nada sério.Tá vendo que eu ñ dou essa raça quando não vale nada... é exclusivamente por causa disso.Coisa escrota né...


(3) -
Depois de driblar e perder a bola, na tentativa de amenizar a cagada e segurar o contra-ataque, o excesso de vontade ocasionou a lesão facial, em alta velocidade.

(3) - Se ele não tivesse ficado deitado de cara no chão sem se mexer, eu teria dado mais risada.

(2) - hahahahahahahahahahahaha...pai santo...


Só rindo mesmo...

terça-feira, 9 de março de 2010

Contra

Desperto em um horário em que não gostaria de despertar.
É como se eu ainda não houvesse sido adestrado por mim mesmo
Adoto hábitos de higiene que não gostaria de adotar.
É como se a minha aparência fosse intérprete do meu intelecto
Trajo roupas que não gostaria de trajar.
É como se elas conseguissem falar por mim
Tomo meios de transporte que não gostaria de tomar. Eles me levam aonde eu não gostaria de ir.
É como se eu possuísse mais coragem para enfrentar o futuro do que o presente
Cuspo vocábulos que não gostaria de cuspir.
É como se isso me engrandecesse

Egoísta, regresso à minha casa na hora em que não gostaria de regressar.
É como se estar atrasado fosse tão habitual quanto piscar os olhos
Desnudo mulheres que não gostaria de desnuda
r.
É como se a solitude fosse deveras mais atraente

Moro e morro onde não gostaria de viver.

Desperto, trajo, tomo, vou, cuspo, regresso, desnudo e morro.

Sou quem eu não gostaria de ser.
Gostaria poder...

segunda-feira, 8 de março de 2010

Eloquência do silêncio e saudades

Atmosfera lânguida. Os sentidos à flor da pele imploram

Ao paladar amuado o prazer sonoro.

O acalanto das sílabas moles e versos fluidos mal preenchem

O vazio etéreo do ambiente noir e logo se traduzem

No toque suave das mãos.

Silêncio…


Tão caro à poética, à rítmica e ao encontro dos olhares.

Como se o simples bater de cinzas do cigarro revelasse

Os olhos embebidos em enigma, os lábios carnudos e sedentos,

A pele ansiosa pelo tato e o coração cheio de saudades…

Palavras…


Quando necessárias não bastam e quando bastam

Deixam muito a desejar.

Tropeço nas palavras, oculto os verdadeiros significados,

Dissimulo intenções quase sempre muito naturais

Como se o cruzamento dos encontros não possuisse esquinas

Como se todo o barulho de todas as esquinas do mundo

Se pudesse traduzir em

Silêncio…


Cuja sublime eloquência em um átimo revela

A inquietude do desejo no encontro das mãos,

A chave do enigma no toque dos olhos,

A sede do tato na satisfação dos lábios.

E as saudades que em mim deixarás…

quarta-feira, 3 de março de 2010

Burp!

Existem algumas coisas na vida que são exclusividades do sexo masculino. Pequenas coisas, pequenos atos que, entre nós, são absolutamente normais, inerentes à personalidade de todos os homens.

Entretanto estes mesmos pequenos atos, quando estamos fora de nossos clãs, longe do absolutismo de nossa roda de amizades ou de nossa família, quando na presença de um amigo do seu avô, um colega de trabalho menos próximo, ou uma mulher (e pode ser qualquer uma), não são praticados por nós. Existe uma lei social que não autoriza tão naturais gestos.

Gestos que nos unem. Nos unem como num consentimento entre todos os machos. Nos unem pois nos damos a liberdade de fazer o que bem entendermos entre nós. Se no dia a dia, o convívio social nos impede, encontramos numa roda de amigos o porto seguro para liberar estes reprimidos atos inconscientes.

Não é falta de educação, muito pelo contrário. Durante nossa formação, desde meninos fomos treinados a controlar estes impulsos físicos (quiçá fisiológicos). Cansamos de ouvir esporro, levar tapas e ter nossas bocas ameaçadas por água e sabão. Apesar de não parecer, já sabíamos como o sistema funcionava, mas não necessariamente concordávamos com ele.

E é por isso que quando o bando se reúne, e o espírito coletivo fala mais alto, pronunciamos mais palavrões, coçamos o saco, cuspimos na rua e cutucamos o nariz sem a menor preocupação. Andamos de cueca, comemos comida do chão, bebemos mais e fazemos mais besteiras. Contudo dentre estas e muitas outras modalidades, existe algo que merece destaque: o Arroto.

Ah o Arroto. Arroto com “A” maiúsculo! O Arroto é tão relevante no dia a dia masculino que se torna um novo personagem nestas ocasiões. É como se a entidade Arroto estivesse presente de alguma maneira no ambiente. De vez em quando ele aparece, do meio do nada, e toma a atenção dos presentes , principalmente se o Arroto estava comprimido, querendo sair desde o almoço na casa da sua namorada.

Não importa de onde venha, o Arroto sempre marca sua presença com mais ou menos intensidade. Mesmo que não se esboce nenhuma reação. Você sabe que ele deu as caras, que passou por ali num piscar de olhos. E todos os outros perceberam da mesma forma. Seja como um estopim para gargalhadas, ou precedendo um silêncio estranho, o Arroto carimbou o cartão de ponto mais uma vez.

E porque o Arroto, tão presente em nossas vidas, é tão discriminado no convívio social? O Arroto faz bem. O Arroto te faz sentir alívio de algo que você nem percebia que estava te incomodando. Como uma pedra no sapato, só depois de uma hora com ela debaixo do dedinho, você percebe que está incomodado há 59 minutos.

Dizem que na China e na Índia, as pessoas arrotam em público, sem discriminação e sem olhares feios. Duas culturas milenares, tão ligadas ao bem-estar e ao equilíbrio mental. Locais de origem do Budismo, Confucionismo, Taoísmo e tantas outras religiões.

Talvez esta seja a maior sabedoria que os ancestrais chineses nos deixaram. O tipo de sabedoria que não se encontra em um biscoito da sorte.

Às vezes as coisas andam estranhas. Às vêzes, você não está 100%, mas não sabe explicar o que é. Às vezes, coloca a culpa no coringão ou no seu chefe. Às vezes, você dá uma volta sozinho ou assiste um filme pra relaxar.

Às vezes, você só precisa arrotar.

terça-feira, 2 de março de 2010

Lavoisier, não me enganes tu...

Eu sei que deveria. Eu deveria simplesmente sair escrevendo... mas sair escrevendo de onde? Do banheiro? Da sala? Do elevador? Se eu saio escrevendo, quem vai sair lendo, assim, de graça, sem motivo? Eu poderia sair escrevendo, mas em uma bola de papel amassado, logo, logo, o texto fatalmente se transformaria. Aliás, pensando bem, o "tudo", além de sempre virar bosta, pode se transformar em "qualquer coisa". Se você imaginar um celular (apenas para citar algum aparelho desprezível criado pelos humanos), é perfeitamente possível que, ao menos em sua cabeça, esse celular comece a se transformar em ninguém menos que Barack Obama... Sim, nele mesmo... Com todo seu ar magrelo de boneco pernambucano carnavalesco. Ou então, apenas para citar um outro exemplo, é possível transformar, em frações de segundo, um cândido e interrogático cisne em um colorido e quadrático cubo mágico... Acreditem: essa capacidade é notória, já que essas fugazes transformações se opõem à maxima de Lavoisier, cuja sentença disparada aos incautos franceses era: na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Ó sábio gênio; balela. BALELA! Isso não passa de acalanto para acalmar Jacobino. Nesse caos metamorfósico em que vivemos, tudo se cria, tudo se perde, tudo se tranforma! Tudo.

Aquecimento Global

Eu, capitão do mato
Declaro alforriado
esse mascavo

Que sai de seu canavial
Para encontrar outras vias
Desbravar novos quilombos
Despir o velho continente

Marrom quente
Que vai quebrar o gelo com sua canoa
Sorrir para sereia
Mesmo se perder a cabeça

Não esqueça
Aqueça.